Entrevista com Clara Albuquerque

Clara AlbuquerqueFormada em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, Clara Albuquerque desde 2007 trabalha como jornalista esportiva. Começou no jornal Correio (BA), onde manteve uma coluna aos domingos por quatro anos, e depois passou a fazer parte da equipe da TV Bahia, afiliada da Rede Globo, e SporTV, como comentarista de futebol. Desde 2013, mora no Rio de Janeiro e é comentarista do Esporte Interativo.

Como e quando o futebol entrou em sua vida?

Não lembro o momento exato em que o futebol entrou na minha vida porque ele sempre esteva lá! Na minha casa, diferente da maioria, a grande apaixonada por futebol é minha mãe. Meu pai e irmão também amam, mas o exemplo feminino foi decisivo. Aprendi a gostar e acompanhar futebol desde cedo e futebol sempre foi algo que uniu a família na minha casa.

Existe preconceito contra mulher no jornalismo esportivo?

Vivemos numa sociedade patriarcal e machista e isso, claro, está refletido no jornalismo esportivo, uma área tradicionalmente dominada por homens. Afinal, durante muito tempo, o futebol foi um privilégio dos homens. Quando crianças, eles ganhavam uma bola, as meninas ganhavam uma boneca. Os meninos aprendiam as regras e iam aos estádios, elas eram deixadas de fora dessa paixão. É lógico existir um domínio masculino nesta área profissional. As poucas mulheres que apareciam eram verdadeiras desbravadoras. Mudar isso leva tempo, mas acredito que já existe uma evolução. Atualmente, não faltam profissionais competentes, mesmo que ainda existam resistência e preconceito do meio e do público para isso. A impressão é que a mulher está sendo testada, eternamente, sobre o assunto, enquanto o homem já nasce com nota 10. Não é um fato que vai mudar de repente, mas já foi muito pior. Ainda é difícil, mas tento ser otimista.

Conte-nos um pouco sobre os seus livros.

Sou autora dos livros Os Dez Mais do Bahia (2016), Os Sem-Copa: Craques que encantaram o Brasil e nunca participaram de um Mundial (2014), e A Linha da Bola – Tudo o que as mulheres precisam saber sobre futebol e os homens nunca souberam explicar (2007). Este último, foi meu projeto de final de curso na faculdade e acabou virando livro. A ideia surgiu pela falta de conteúdo sobre futebol direcionado para as mulheres. Com uma linguagem dita feminina, o livro pretende, de forma bem-humorada, aproximar mulheres, que nunca tiveram muito acesso, ao mundo do futebol.

A ideia do segundo livro surgiu com a proximidade da Copa do Mundo no Brasil e conta a história de personagens fascinantes como Friendenreich, Heleno de Freitas, Tesourinha, Evaristo e outros que, por algum motivo, não tiveram a chance de participar de uma Copa do Mundo. Por fim, os Dez Mais do Bahia foi lançado no início de 2016 em comemoração aos 85 anos do primeiro campeão brasileiro e faz parte da Coleção Ídolos Imortais, da Maquinaria Editora.

Quais as maiores dificuldades que você encontrou quando estava escrevendo as suas obras?

Cada uma teve dificuldades específicas. No meu primeiro livro, além do conteúdo, tive uma preocupação muito grande com o formato e a escrita em si, além da rotina, já que era meu primeiro livro e eu ainda não dominava tanto o processo. A maior dificuldade do segundo livro foi em relação à pesquisa já que tratei de personagens que atuaram desde o início do futebol no Brasil, como Friedenreich, até jogadores mais recentes. No livro do Bahia, a dificuldade maior esteve na captação de recursos financeiros, pois a obra foi lançada através de financiamento coletivo e tive que contar com o apoio da torcida do time!

Como você vê o mercado editorial brasileiro para os livros esportivos?

Nossa, melhorou demais! Antigamente, a literatura esportiva era muito escassa e se resumia a livros de dados e registros e algumas poucas biografias. Ainda é pequena, o Brasil é um país que lê muito pouco e isso influencia no mercado, mas já cresceu bastante. Hoje, é possível encontrar um material bem mais vasto que inclui biografias, obras de registros, curiosidades, histórias específicas, infantis e até livros de romance com a temática do futebol.

Você acha importante uma aproximação maior entre leitores e autores?

Sempre! Sou uma leitora compulsiva e, no fim das contas, o que a gente que quer é se identificar ali naquela leitura. A aproximação com os autores pode transformar isso em algo mais possível e traz uma troca de ideias importantíssima para os dois lados.

Algum novo projeto em andamento?

Sempre! Tenho ao menos três ideias de livros em mente, mas ainda é surpresa porque estou estudando qual deles devo investir primeiro!

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