Entrevista com José Rezende

José RezendeCarioca da Tijuca, José Rezende começou no rádio esportivo em 1963, tendo passado ao longo dos anos por diversas emissoras, até deixar a locução em 2005. Na infância e na adolescência adorava irradiar os jogos de botões.

Enquanto a maioria dos autores que se dedicam à literatura esportiva se preocupa em resgatar a história dos grandes clubes e dos ídolos que se consagraram vestindo as mais famosas camisas, Rezende lançou livros que falam de clubes tradicionais do Rio de Janeiro, mas que possuem uma parcela menor de torcedores.

Com o objetivo de resgatar e preservar a memória esportiva brasileira, criou o Centro Histórico Esportivo, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Fale um pouco da sua trajetória profissional.

Ingressei no rádio esportivo na Emissora Continental do Rio de Janeiro, em 1963. No concurso realizado pela emissora existiam duas vagas, uma para locutor esportivo e outra para comentarista. Posteriormente, trabalhei nas Rádios Tupi, Nacional, Vera Cruz, Mauá (1530 kHz), Capital. Em 1978 fui contratado pela TVS – canal 11/SBT. Finalmente, Rádio Bandeirante e Carioca. Nesta última deixei a locução esportiva em 2005. Hoje escrevo para o site da ACERJ as colunas Memória Esportiva e Memória do Jornalismo Esportivo. Possuo o blog Álbum dos Esportes e leciono no Curso de Jornalismo Esportivo da ACERJ (Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro).

Quais os primeiros passos de sua relação com o futebol?

Na infância e na adolescência adorava jogar pelada e jogar botões. Nos botões realizava meus campeonatos e irradiava os jogos, imitando o Oduvaldo Cozzi. A partir dos 8 anos passei a frequentar os estádios cariocas.

Por que o futebol desperta tanto interesse e exerce tanta influência no dia a dia das pessoas?

O futebol desde as primeiras décadas do século XX é uma paixão nacional. Este sentimento aumentou ainda mais depois da construção do Estádio Mário Filho (Maracanã) para a Copa do Mundo de 1950. Apesar de ter diminuído o interesse das pessoas pelo futebol, devido a vários fatores, ainda significativa parcela de torcedores se interessa pelas notícias de seus clubes e comparece aos estádios.

Você acha que o país preserva adequadamente a memória do esporte brasileiro?

O Brasil, por parte de seus governantes, pouco interesse existe pela memória nacional nos seus diversos segmentos. No caso do futebol e dos outros esportes, os fatos históricos e os nossos ídolos são normalmente esquecidos. Como dizia o querido e saudoso Luiz Mendes: “a memória do brasileiro vai até a missa de 7º dia”.

Como surgiu a ideia de escrever livros?

Em 1984, produzi e apresentei o programa “Álbum dos Esportes”, na Rádio Capital. Entrevistei Barbosa, Osvaldo “Baliza”, Zizinho, Orlando “Pingo de Ouros”entre outros. Por sorte estas entrevistas foram gravadas e guardadas. Em 2000, peguei as fitas e constatei que possuía uma relíquia. Resolvi retomar as entrevistas. Daí surgiu a ideia de escrever livros, aproveitando os depoimentos desses personagens.

Quais livros você já publicou?

Escrevi até agora três livros: “Hei de torcer até morrer”, “Eternamente Bangu”, “Vai dar zebra”. Os dois primeiros contam a história do futebol do América e do Bangu. O terceiro apresenta a história do futebol das sete zebras do futebol carioca, incluindo o Canto do Rio, cuja sede é em Niterói.

Apesar de um mercado ainda restrito, vemos que anualmente são lançados centenas de livros esportivos. Como você vê o mercado editorial?

Felizmente, nos últimos anos têm sido publicados vários livros esportivos e alguns clubes criaram seus centros de memória. Existe uma cultura esportiva que tem que ser valorizada. O problema maior é o custo da edição. O acesso aos incentivos a cultura esbarra na burocracia e nas cartas marcadas. No Brasil, quem não tem padrinho morre pagão.

Algum novo projeto em andamento?

A ideia é reeditar os livros sobre o América e o Bangu; escrever a história do futebol do Fluminense, Botafogo e Vasco. Enfim, criar espaços para continuar preservando a memória da fascinante história do esporte brasileiro.

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