Quando a bola era redonda

Quando a bola era redondaAo contrário das conversas de botequins em que se esbraveja o amor por esse ou por aquele clube, nesta obra as impressões passadas são colocadas de maneira bastante clara e fundamentadas.

Além disso, em Quando a bola era redonda, Ivan Soter conta que nem sempre a bola é a protagonista do jogo que sem ela não teria como existir. Ela dá vez aos treinadores que moldaram o jogo entre nós, como Gentil Cardoso, Flávio Costa e Fleitas Solich. A luta pelo poder se intromete na história, como a batalha entre João Havelange e Paulo Machado de Carvalho pelo domínio do escrete em 1970.

Aos craques que amavam a bola e a tratavam por você, Ivan Soter mostra um carinho especial: Zizinho entra em campo várias vezes, Ademir, Tesourinha, Rubens Salles, Marcos de Mendonça, Garrincha, Barbosa, Doutor Rúbis, Danilo, Didi, Nílton Santos, Oberdan, Zagallo, Dida, Tostão e Pelé desfilam suas genialidades, às vezes com a bola, às vezes com observações. Leônidas, sem ser o Diamante Negro, o outro, dito da Selva, que tinha com a bola um tratamento diferente, preferia-a quadrada. O autor, demonstrando não ter preconceito com aqueles que arranhavam a bola, não se esqueceu do simpático tanque americano.

O guru do autor, Pedro Zamora (Jocelyn Brasil), não se fez de rogado ao ser chamado às páginas do livro. Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil, empresta sua sabedoria a algumas crônicas.

E nenhum livro sobre história do futebol pode prescindir dos irmãos Nelson Rodrigues e Mário Filho. Por fim, há um desafio: seriam os goleiros canhotos os melhores?

O molho é preparado com recordações da infância, onde seus primos e tios têm importância fundamental. Recordações que o próprio Ivan Soter delas guarda certa desconfiança: seriam realidades ou frutos da fantasia?

Em 132 páginas, o autor consegue resumir com clareza diversos aspectos do futebol mundial, com um pouco de nostalgia em relação à época em que a modalidade era jogada exclusivamente por amor à camisa ou pelos momentos de alegria que o futebol pode proporcionar.

O autor

Ivan Soter não é um jornalista profissional nem circulou em clubes e confederações, mas se especializou em analisar a história da seleção brasileira de futebol. É considerado um dos maiores entendidos no assunto.

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