Tempos vividos, sonhados e perdidos

Tempos vividos, sonhados e perdidosO livro Tempos vividos, sonhados e perdidos – um olhar sobre o futebol, de Tostão, confirma que o ex-jogador da seleção brasileira campeã de 1970 é um sábio no sentido mais amplo do termo. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Tostão foi sempre um ponto fora da curva no esporte brasileiro. Leitor voraz, médico e professor, é um dos poucos atletas que se dedicou a refletir sobre o futebol. Seja como comentarista ou cronista, suas observações sempre foram muito além do desempenho deste ou daquele jogador.

Mais do que uma autobiografia, o livro é um passeio pelos temas e ideias que Tostão cultivou, e dá ao leitor um acesso único não apenas ao jogador, mas também ao espectador, ao torcedor e ao fã. A obra fala de Tostão e do futebol ao longo de 60 anos, divididos em três partes, cada uma compreendendo um período de cerca de 20 anos.

As primeiras duas décadas são as que tratam da trajetória do atacante do Cruzeiro, convocado, aos 19 anos, para a Copa do Mundo de 1966. O descolamento da retina, em 1969. O apoio do comunista João Saldanha , o elogio a Zagallo, o estrategista. E a análise, detalhada, de cada jogo e cada jogador daquela seleção.

O segundo período do livro começa com o segundo descolamento da retina, quando já jogava no Vasco, e a decisão de encerrar a carreira precocemente, aos 26 anos. Segue um relato sobre um período que Tostão costuma falar pouco – o tempo em que Eduardo Gonçalves de Andrade estudou medicina, se formou, foi professor e trabalhou em um hospital público.

Sem tirar o futebol de seu radar, o médico analisa o desempenho da seleção brasileira entre as Copas de 1974 e 1990, com especial carinho, naturalmente, pela de 1982.

A partir de 1994, quando aceita um convite de Luciano do Valle para integrar a equipe da Band na Copa, Tostão dá início à terceira fase de sua vida, a de analista esportivo. Em 1997, larga a medicina definitivamente.

O próprio jornalismo esportivo é tema das reflexões de Tostão. Ele entende, corretamente, que para ser totalmente independente deve se manter distante do objeto de suas críticas, no caso, treinadores e jogadores. Também se espanta com a velocidade dos tempos atuais, que obriga jornalistas a digitar e olhar mais para o computador do que para o gramado.

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