A turma é boa, é mesmo da fuzarca!

 A turma é boa, é mesmo da fuzarca!Texto de apresentação por Igor Serrano

Fundado por entusiastas da prática do remo em 21 de agosto de 1898, no bairro carioca da Saúde, o Club de Regatas Vasco da Gama foi assim nomeado em razão do aniversário de 400 anos do descobrimento das Índias pelo ilustre navegador homônimo. Em pouco tempo de vida, já começaria a incomodar os adversários nas regatas com seu protagonismo. Em 1905 e 1906, bicampeão carioca. Depois o tricampeonato carioca em 1912, 1913 e 1914.

Em 1915, tornou-se adepto também dos gramados. Após a fusão com o time de futebol do Lusitânia, começou a trilhar sua história nos campos do Rio de Janeiro e do Brasil afora, encantando portugueses, brasileiros, brancos, negros, mulatos, ricos e pobres.

O Vasco era o time de todos. Fossem atletas ou torcedores. Football naqueles tempos, por sua vez, era um esporte de ricos e abastados, não das camadas populares. Nove anos após o ingresso cruzmaltino no futebol, em 1924, os rivais cariocas resolveram fundar uma nova liga e impor como regras: 1 – Possuir estádio próprio (São Januário ainda não havia sido construído) e: 2 – Não utilizar negros, mulatos e operários brancos.

Foi então enviada uma notificação à presidência do Vasco solicitando que eliminassem de seu plantel doze jogadores específicos, de posição social questionada pela Liga. E a seguir o que se passou, entrou para a história não só do futebol, mas de toda a sociedade brasileira.

Em resposta à Liga, o presidente José Augusto Prestes disse que optaria por não participar de um torneio que discriminasse atletas em razão de sua condição social e racial, a ter de excluí-los. A posição de Prestes ficou conhecida como “Resposta histórica”. A partir desse marco na luta contra o preconceito racial e social, o Vasco ficou popularmente conhecido como o primeiro time a aceitar (e lutar pela inclusão de) negros, mulatos e operários, embora, segundo registros, o Bangu já possuísse atletas negros em seu elenco.

Depois da Resposta, vieram outros grandes feitos. A Meca cruzmaltina: o Estádio Vasco da Gama (São Januário), construído integralmente com dinheiro dos torcedores vascaínos em uma linda campanha de arrecadação que, nos dias de hoje, deixaria estádios privados superfaturados com dinheiro público morrendo de inveja.

Em 1948, o cruzmaltino tornou-se o primeiro time brasileiro a conquistar um título internacional ao vencer o embrião da Taça Libertadores da América: o Campeonato Sul-Americano de 1948, em Santiago no Chile.

Com a construção do Maracanã para a Copa do Mundo de 1950, o Vasco foi o primeiro time campeão do estádio ao vencer o América, por 2 x 1, na decisão do Campeonato Carioca de 1950 (disputada no início do ano seguinte em razão da Copa). Duas décadas mais tarde, o Vasco foi o primeiro time carioca a vencer o Campeonato Brasileiro. Em 1974, também no Maracanã, venceu o Cruzeiro de Nelinho, Dirceu Lopes e Palhinha por 2 x 1. Em 1989 veio o bicampeonato e, em 1997, o tri com show de Edmundo, artilheiro e recordista de gols do campeonato. Em 1998, a (re)conquista da América! Campeão da Copa Libertadores da América no ano do centenário. Feito não alcançado até hoje por nenhum outro time brasileiro.

Em 2000, o tetra brasileiro com show de Romário, Euller e Juninhos, além de mais um título internacional naquela considerada por muitos a melhor partida de futebol de todos os tempos: “A virada histórica” na final da Copa Mercosul, na qual o Vasco derrotou o Palmeiras por 4 x 3, após perder o primeiro tempo do jogo por 3 x 0 e jogar boa parte da partida com um jogador a menos.

Em 2011, o “Trem-bala da Colina” e a conquista inédita da Copa do Brasil. Isso para não falar dos títulos cariocas, como a disputa de pênaltis diante da muralha Mazzaropi; a doce final com sabor de Cocada; a letra de Léo Lima…

Com uma história tão rica, bonita e cheia de momentos de orgulho, não há como não se apaixonar por este time que é muito mais que um clube de remo ou futebol, afinal, “Felicidade, teu nome é Vasco!”¹. No entanto, como todo amor que se preze sabe, a dedicação deverá ser “na alegria e na tristeza.” Nem só de feitos magníficos é constituída a história vascaína. Episódios lamentáveis como os dois rebaixamentos, em 2008 e 2013, que o digam. E mesmo nesses momentos difíceis, podemos nos orgulhar do Gigante da Colina. O Club de Regatas Vasco da Gama cumpre os regulamentos das competições das quais participa. Se existe a previsão de rebaixamento, esse deve ser respeitado. Nada mais justo, até mesmo em respeito aos valores que esta instituição sempre defendeu. Afinal, os jogadores, técnicos e dirigentes, ainda que marcantes, vêm e vão. Mas a camisa, o pavilhão, a história e a instituição para sempre permanecem. “Vasco da Gama, a tua fama assim se fez”.

A seguir, dividirei com vocês, caros leitores, um pouco da minha memória e da paixão pelo Club de Regatas Vasco da Gama, traduzidas em textos sobre dez partidas específicas que ocorreram entre 2007 e 2013 e assisti no estádio ou em casa pela TV. Espero que gostem. Boa leitura!

Texto da orelha do livro, por Dário Lourenço Júnior, atleta do futmesa do Vasco

Para qualquer vascaíno, as linhas carinhosas e carregadas de envolvimento que Igor Serrano deixa escapar nesta obra provocam uma experiência altruísta. Torna esta leitura uma releitura das suas próprias emoções e um baú aberto para suas próprias lembranças. Nos momentos em que a vida do clube e a vida do autor se confundem, a empatia extrapola qualquer realidade! Daí para frente cada página se torna uma grande aventura em que a alma prolixa da narrativa nos envolve por completo. O folhear conta em poucos jogos… Pinta em pouca tinta uma época do Club de Regatas Vasco da Gama, a euforia, os dramas, o bom humor e, despretensiosamente, o sentimento de uma geração.

Texto da quarta capa, por Alexandre Mesquita, coautor dos livros Um Expresso chamado vitória e Jogos Memoráveis do Vasco

Para quem gosta de escrever, é sempre muito prazeroso falar de suas paixões. A paixão clubística, especialmente, é uma delas. Talvez a maior de todas. Até porque quem se identifica com um time, jamais vira a casaca. Nesta obra, o estreante autor recorda momentos marcantes na sua (ainda curta) vida de vascaíno apaixonado, nos trazendo lembranças de um tempo sem muitas conquistas, o que faz dos raros triunfos e dos sofridos fracassos verdadeiras experiências de prova de amor ao clube de coração.

¹Valdemiro Teixeira, o “Mirim”. Jogador do Vasco da década de 50.

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